sábado
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Nesse exato momento, 20 pessoas estão aqui lendo esses posts. Gente, que coisa incrível!
["meu abstrato gosto de outono"]
Collage 14, de JU Gioli.Do blog @ Dis-cursos, de JU Gioli
[Outono
Destes que inundam de claridade todas as coisas. E, começa o dia com a beleza da manhã sobre a janela, felizes em recuperar a luminosidade misteriosa desta estação, derramando-se pelas ruas sem cerimônias: os vermelhos e ocres de infinitas misturas. (...) Eu adoro toda essa claridade, é como uma vitrine de teatro, onde as luzes estão bem equilibradas, ampliando o espaço do céu, revertendo uma temperatura mais agradável. E, para brindar esse dia de outono, ouço Beethoven, um adágio deslumbrante para violino, que combinou perfeitamente com todos esses dourados explícitos no ar. Não poderia ser melhor: adágio allegretto, dando forma sensual às linhas do entardecer com esta cor de açafrão. Lentamente, fui saboreando... como quem saboreia na paleta, meu abstrato gosto de outono.]
Destes que inundam de claridade todas as coisas. E, começa o dia com a beleza da manhã sobre a janela, felizes em recuperar a luminosidade misteriosa desta estação, derramando-se pelas ruas sem cerimônias: os vermelhos e ocres de infinitas misturas. (...) Eu adoro toda essa claridade, é como uma vitrine de teatro, onde as luzes estão bem equilibradas, ampliando o espaço do céu, revertendo uma temperatura mais agradável. E, para brindar esse dia de outono, ouço Beethoven, um adágio deslumbrante para violino, que combinou perfeitamente com todos esses dourados explícitos no ar. Não poderia ser melhor: adágio allegretto, dando forma sensual às linhas do entardecer com esta cor de açafrão. Lentamente, fui saboreando... como quem saboreia na paleta, meu abstrato gosto de outono.]
sexta-feira
[latifúndio digital]
[começou a nos acompanhar o artista plástico Eduardo P. L., de Imbituba, Santa Catarina, que é também frequentador do blog da Lina Faria, Não Lugar. Comecei a escarafunchar em seu perfil e descobri que ele é um latifundiário digital: tem 18 blogs! Até onde eu contei e pode ser que eu tenha contado errado, porque jornalista não é bom de matemática. Vai demorar um tempinho para eu visitar todos os blogs e fazer comentários, mas até onde pude ver, fotografia e artes plásticas são os temas mais frequentes. De todos, naveguei mais pelo Varal de Ideias (agora sem acento) e O Último Blog. Agora somos 14 viajantes e eu nos remos.]
quinta-feira
[palavra favorita]
Do blog do colunista Ancelmo Góis, do Globo:
[qual a sua palavra favorita na língua portuguesa? Foi o desafio proposto a 35 autores do idioma, de cinco países diferentes, para o Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa, organizado pelo bamba Marcelo Moutinho e pelo editor português Jorge Reis-Sá, que sai agora, pela Casa da Palavra.
Entre os 35 autores, estão desde jovens cujo talento desponta já nos primeiros livros a autores que, reconhecidos por público e crítica, ganharam prêmios literários como o Portugal Telecom, o José Saramago, o Jabuti e o Machado de Assis. Eles escolheram 35 palavras diferentes e tiveram a liberdade de trabalhá-las da forma que preferissem - contos, poemas, ensaios -, desde que expressassem uma sintonia de sentimentos por meio das letras.
Orientação segura: não dá para perder.
Uma das obras...
Leia um trecho de "Casa", de Fabrício Carpinejar:
A palavra casa foi centro de meu primeiro poema falso. O primeiro poema roubado. Meu pai ainda diz que falei quando pequeno o verso “a casa da árvore é a casa de Deus”. Quem disse foi o meu irmão Rodrigo, dois anos mais velho, e não adianta convencê-lo. Sempre que alguém me empresta um verso, não devolvo. Fico constrangido em negar. A vaidade não conta os trocos. Casa é a palavra mais bonita da língua portuguesa, porque é a mais usada e não perde seu viço. Casa é onde e quando. Junta as pessoas, junta duas escovas de dente, junta fotos e canetas, junta sapatos, junta dores e alegrias. Morre-se por uma casa, para pagar uma casa, para merecer uma casa. No casamento, o corpo se sente desobrigado a fazer tudo sozinho. O corpo casa com a casa. Toda mulher é uma casa dentro da casa. Com uma mulher dentro, a casa se torna na verdade um quarto. Ao sair do banho, a mulher é um bosque perfumado. Posso passar toneladas de xampu, de sabonete, de creme e não irei repetir a fragrância. A casa é uma mulher saindo do chuveiro. O perfume grosso de casca de árvore, não de pólen. (...) ]
terça-feira
["não se chora em paris"]
Do blog Olhares Loiros, do dramaturgo Mário Viana, sobre o acidente com o avião da Air France:
[nosso mal-estar também se mistura ao destino do vôo: Paris. Paris não é lugar de sofrimento, de dor ou punição. Quantos, dentre aqueles passageiros, não acordaram no domingo com um brilho excitado nos olhos: “Hoje eu vou pra Paris”. E os amigos, parentes, colegas sorriam de inveja, mesmo de quem fosse a trabalho. Não se chora em Paris – só nos filmes franceses. O acidente do Airbus traiu as expectativas de seus passageiros. Negou-lhes Paris e imprimiu, nos corações de quem sobreviveu, a imagem de uma dor que parece sem cura.]
[AF 447]
[o verso do Chico Buarque representa a pura verdade, a dor da gente não sai no jornal. Para os jornalistas, de certa forma habituados ao sofrimento humano, não existe nada pior do que ter de escrever sobre uma tragédia coletiva. Não duvidem que, no momento em que está escrevendo seu texto, pressionado pelo horário de fechamento, ele preferiria não estar ali. É uma sensação de derrota. Ali a dor dos familiares das vítimas também é sua. Acidentes como esse da Air France trazem a morte para mais perto de sua cadeira. Esse convívio com a morte é quase permanente e, por força dessa circunstância, teríamos que ter o coração mais frio. Mas não conseguimos. Nunca participei de coberturas como essa do voo da Air France, mas já vi colegas em situação semelhante tentando manter o equilíbrio num momento tão difícil. E como nessa hora a cobertura cresce em número de páginas, jornalistas de todas as áreas são convocados. Gente que escreve sobre economia, que escreve sobre música, que escreve sobre futebol acaba telefonando para familiares, para especialistas, autoridades. Não há como o jornalista fugir da morte, ela é a companheira mais incômoda em nossa viagem. E ela sempre nos testa, mede nossos nervos, aperta o coração e faz tudo para desistirmos. E nós continuamos, cada dia mais fracos.]
segunda-feira
[os escritores já não têm mais tempo para escrever]
De reportagem de Ubiratan Brasil no Caderno 2
[luis Fernando Verissimo está a dois capítulos do término de seu novo livro, Espiões; Cristóvão Tezza só tem rascunhada uma ideia; Ignácio de Loyola Brandão sabe apenas que vai escrever para o público infantil - grandes escritores da literatura brasileira reuniram-se no fim de semana em São Francisco Xavier, charmoso distrito de São José dos Campos, onde participaram do 2º Festival da Mantiqueira - Diálogos com a Literatura, mostra literária promovida pela Secretaria do Estado da Cultura. E boa parte deles ainda busca tempo para dar prosseguimento à sua carreira.
O impasse é curioso: ativos participantes de encontros literários (modalidade que aumenta expressivamente em quantidade pelo País), eles cumprem com o que julgam ser uma saudável obrigação - divulgar a literatura - mas se ressentem justamente do sossego para continuar a exercer esta mesma literatura. "Escrevo nas horas vagas", conta Verissimo, que confessou ter na música uma paixão levemente superior. "Se pudesse, tocaria mais com minha banda do que escreveria." ]
Leia a reportagem completa:
[luis Fernando Verissimo está a dois capítulos do término de seu novo livro, Espiões; Cristóvão Tezza só tem rascunhada uma ideia; Ignácio de Loyola Brandão sabe apenas que vai escrever para o público infantil - grandes escritores da literatura brasileira reuniram-se no fim de semana em São Francisco Xavier, charmoso distrito de São José dos Campos, onde participaram do 2º Festival da Mantiqueira - Diálogos com a Literatura, mostra literária promovida pela Secretaria do Estado da Cultura. E boa parte deles ainda busca tempo para dar prosseguimento à sua carreira.
O impasse é curioso: ativos participantes de encontros literários (modalidade que aumenta expressivamente em quantidade pelo País), eles cumprem com o que julgam ser uma saudável obrigação - divulgar a literatura - mas se ressentem justamente do sossego para continuar a exercer esta mesma literatura. "Escrevo nas horas vagas", conta Verissimo, que confessou ter na música uma paixão levemente superior. "Se pudesse, tocaria mais com minha banda do que escreveria." ]
Leia a reportagem completa:
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