segunda-feira

[mapa regional de escritores]

Deu no jornal A Notícia, de Joiville (SC):

[a partir de agosto, os escritores de Joinville terão mais um canal para buscar novos leitores. O site Joinville Literária vem para desenvolver um inventário da produção literária contemporânea joinvilense, constituindo uma biblioteca digital que permitirá o acesso a textos e informações literárias. A iniciativa do Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler) da Univille será lançada oficialmente no dia 14, às 19 horas, no Anfiteatro da universidade.O Joinville Literária é um projeto de pesquisa coordenado pela professora Taiza Mara Rauen Moraes. Aprovado em edital interno da Univille no final de 2007, a ideia começou a ser desenvolvida no começo do ano e agora está próxima de ir ao ar. “Hoje, nem está mais tão complicado publicar, mas o problema é fazer circular. O escritor não tem a dimensão de quanto seu livro está sendo lido”, explica Taiza.
Coordenadora do Prêmio Joinville de Expressão Literária, Taiza diz ter observado um crescimento no número de jovens interessados em literatura na cidade, aliados a um bom texto. “O prêmio se solidifica a cada ano com escritas de muita qualidade”, argumenta. ]

[emoção consentida]

[o Eduardo me presenteou no domingo com uma postagem especial no seu Blog Viciado, escolhendo o texto As Palavras Justas, como o melhor da semana passada. Me alegra a homenagem pois escrevi esse post depois de alguns dias de inatividade no blog e queria colocar um texto mais "forte".

Na verdade, eu tenho pensado com frequência na tendência que muitos blogueiros tem em revelar suas entranhas nos textos que publicam. Nada contra. Mas, muitas vezes, esses textos escritos de forma rápida e servidos com o grosso caldo da paixão, viram apenas um desabafo, um pedido de ajuda para um confidente. O blog volta a ser então o velho diário. Nada contra o velho diário, mas a proliferação de blogs permitiu também que surgissem pessoas interessadas em tornar essa exposição assunto público, mas de forma controlada, domada. Já não publicam com tanto ímpeto. Não correm para escrever a primeira palavra que chega à mente. Elas medem mais as palavras. Não porque estejam se policiando, se autocensurando, mas porque querem encontrar a palavra certa para exprimir o que sentem. Sem transbordamentos, sem excessos, sem adjetivação (Drummond aconselhava os jovens escritores a usarem um substantivo quando estavam divididos entre dois adjetivos). E procuram, cada vez mais, trabalhar o sentimento com a palavra escrita. Esse é o trabalho literário. Ele dá certo no livro e dá certo na internet, mesmo que a linguagem seja diferente. Mas não é tão diferente assim.

O trabalho do escritor e o do jornalista seguem a mesma trilha, apesar de os textos jornalísticos atuais estarem muito engessados pelos manuais de redação e também pela pouca cultura literária e jornalística dos próprios jornalistas que hoje estão na ativa. Mesmo assim, os jornalistas são incentivados a condensar seus textos, evitar a repetição de palavras e torná-los mais diretos, sem adjetivação nenhuma. Por isso os textos são mais secos (mas não precisam ser desérticos). Uma grave deformação nos jornais de hoje é a extinção da emoção. Para preservar uma suposta imparcialidade, impede-se que o jornalista coloque o que sente em seus textos e pratique um estilo próprio. Nos Estados Unidos, Gay Talese, Tom Wolf e Norman Mailer subverteram o texto jornalísticos com o chamado new journalism. No Brasil, alguns jornalistas quando tentam fazer o mesmo o fazem de uma forma narcisista. É como se dissessem para o leitor e para seus colegas: "veja como eu sou bom, como escrevo bem". E aí o jornalismo vira apenas um exercício estilístico e continua sem a emoção.]

[as palavras justas]

[dunga, o treinador da seleção brasileira, não o anão da Branca de Neve, tem uma frase de efeito que serve como chamada aos brios dos jogadores: no futebol só existe o presente, ou seja, o jogo de hoje. Não importam as glórias do passado se não vencermos hoje. E não haverá futuro se também não vencermos hoje. Ele pode estar certo ao pedir resultados imediatos. Até porque é o pescoço dele que está em jogo. Hoje.

Nesse ponto, o jogo de bola se distancia do da vida. Vivemos dos campeonatos passados, principalmente das derrotas, das goleadas, das desclassificações, da morte súbita. Somos o goleiro Barbosa, caído na área e vendo a bola entrar lentamente no canto. Mas precisamos prolongar ainda mais esse sofrimento escrevendo sobre ele, debruçando-nos sobre o computador e procurando a palavra justa que traduza a dor. E ainda o dividimos com o leitor, testemunha de nossa derrota.

Nos blogs, jovens expurgam a dor de relacionamentos desfeitos, de paixões não correspondidas, em poemas rápidos e mal-passados. Alguns leitores os comentam: que lindo. Que lindo o amor frustrado, a alegria interrompida, a felicidade adiada. Não quero que alguém sofra para que eu tire lições da minha própria dor. Jovens cronistas e poetas, não escrevam sobre essa dor momentânea, do presente. Voltem ao passado e busquem uma dor ancestral, antiga, que não é de vocês. Anseiem por essa dor sem dono, mas que é coletiva, que nasceu com o primeiro ser humano. Procurem respostas que, de antemão, vocês sabem que não vão encontrar. Mas mesmo assim não desistam de procurá-las no rosto de cada pessoa que encontrarem em casa, no trabalho, nas ruas. Elas também não saberão e isso aumentará ainda mais sua aflição. Depois escrevam, escrevam em profusão, até se sentirem saciados; depois cortem e cortem mais até que restem apenas poucas palavras. Essas serão as palavras justas que nós precisamos ler.]

sábado

[novos tempos]

Antenado com os novos tempos de banda larga, no terreiro de um moderno pai de santo, com mestrado na USP, que sai regularmente na coluna da Mônica Bergamo e seguido por milhares no tweeter, os santos não baixam. Fazem download.

sexta-feira

[um sonho de laura]

Do blog de Laura Diz

[sonhei que ao dar gorjeta para alguém me atrapalhava com as moedas - sempre acontece - e ele ficava com cinco reais. Eu fico zangada e o firo com algo pontiagudo e fujo. Ele quer me matar. Cruzes!]

quinta-feira

[não tenho pena do Luis Fernando Verissimo]

Se seu time colorado fosse mais competente, ele estaria feliz, mas eu estaria triste. E a tristeza não me cai bem. Se fosse poeta escreveria para debelar esse estado de alma versos mal-passados, sangrando, ao corte argentino. Mas estou mais para um virado à paulista, encharcado de óleo, mas necessário nas segundas-feiras frias.

[remendos no casco e velas costuradas]

Me senti nesses últimos dias como um navio atracado num estaleiro a espera de seu casco ser remendado para prosseguir viagem. Com uma série de afazeres que me roubaram boa parte do tempo criativo (não confundir com o chamado ócio criativo, ao qual ainda não fui apresentado) e com problemas de conexão à internet, fiquei vendo os marinheiros desocupados, em busca de prazeres fugazes, apontando gravetos com seus canivetes suíços. Mas não abandonem o convés e não se afastem muito dos remos pois já começamos a sentir as lufadas de vento. Temos mais meia duzia de grumetes a bordo e já vou falar deles. Não quero que se sintam desocupados.