[o jornalista e escritor Gay Talese recomenda que os repórteres devem praticar o legswork, ou seja, o trabalho de pernas, andar pelas ruas e ver o mundo com os próprios olhos. Uma canção do Milton Nascimento já dizia sabiamente: "todo artista deve ir aonde o povo está". Quando eu trabalhava em redações, os chefes de reportagem literalmente nos expulsavam e nos mandavam procurar notícias nas ruas.
E saíamos. Às vezes dava tempo até de ir ao cinema ou tomar uma cerveja com o fotógrafo enquanto batíamos perna ou rodávamos sem destino pela cidade no carro de reportagem, como policiais em busca de ação. Nem sempre tínhamos sucesso, mas às vezes conseguíamos chegar na hora certa e no local certo de um acontecimento.
Digo tudo isso por causa de um acontecimento que teve grande destaque nos jornais de hoje de São Paulo, mas que, infelizmente, não teve a abordagem que merecia do ponto de vista jornalístico-literário: a grande manifestação contra a proibição de ônibus fretados em diversos bairros da capital. A cidade parou com os piquetes armados por senhores engravatados e mulheres de terninho e salto alto, os grandes prejudicados pela medida. Não quero falar desse assunto sob o ponto de vista político. Me interessa apenas a forma como foi tratado pelos jornais.
Foi a revolta dos executivos de classe média que, no dia-a-dia, fogem de qualquer envolvimento com polêmicas e não querem saber de confusão. Normalmente ficam à espreita, observando, ou lendo através dos jornais. Que histórias saborosas foram perdidas porque alguns jornalistas não tiveram olhos para ver. Se o trabalhador unido jamais será vencido, como dizia o bordão dos sindicatos nos anos 60 e 70, em plena ditadura, os executivos unidos certamente viram que tem muito a ganhar, além de apenas dar quórum às apresentações de power-point em suas empresas.]
E saíamos. Às vezes dava tempo até de ir ao cinema ou tomar uma cerveja com o fotógrafo enquanto batíamos perna ou rodávamos sem destino pela cidade no carro de reportagem, como policiais em busca de ação. Nem sempre tínhamos sucesso, mas às vezes conseguíamos chegar na hora certa e no local certo de um acontecimento.
Digo tudo isso por causa de um acontecimento que teve grande destaque nos jornais de hoje de São Paulo, mas que, infelizmente, não teve a abordagem que merecia do ponto de vista jornalístico-literário: a grande manifestação contra a proibição de ônibus fretados em diversos bairros da capital. A cidade parou com os piquetes armados por senhores engravatados e mulheres de terninho e salto alto, os grandes prejudicados pela medida. Não quero falar desse assunto sob o ponto de vista político. Me interessa apenas a forma como foi tratado pelos jornais.
Foi a revolta dos executivos de classe média que, no dia-a-dia, fogem de qualquer envolvimento com polêmicas e não querem saber de confusão. Normalmente ficam à espreita, observando, ou lendo através dos jornais. Que histórias saborosas foram perdidas porque alguns jornalistas não tiveram olhos para ver. Se o trabalhador unido jamais será vencido, como dizia o bordão dos sindicatos nos anos 60 e 70, em plena ditadura, os executivos unidos certamente viram que tem muito a ganhar, além de apenas dar quórum às apresentações de power-point em suas empresas.]
